Câmara debate situação de estrada no Rio do Terra e cobrança da oposição recebe apoio do líder do governo
Pedido de recuperação urgente expôs dificuldades enfrentadas por moradores e produtores rurais. Pronunciamento do líder do governo revelou que a demanda já havia sido levada ao Executivo meses atrás, sem solução.
A precariedade da infraestrutura na comunidade do Rio do Terra dominou os debates da sessão ordinária da Câmara de Vereadores de Três Cachoeiras, realizada na segunda-feira (13). O assunto foi levado à tribuna pelo vereador Gian Matos (MDB), que apresentou um requerimento acompanhado de fotografias mostrando as condições da Estrada do Morro dos Maggi e de uma barragem que dá acesso a dezenas de famílias.
Segundo o parlamentar, a situação da estrada atingiu um nível crítico. Ele relatou que esteve recentemente no local e constatou que grandes pedras espalhadas sobre a via praticamente inviabilizam o trânsito de veículos.
"Vem sendo pedida a manutenção há bastante tempo. Antes subiam caminhões para levar insumos e também para escoar a produção de banana", afirmou.
Gian solicitou que a recuperação seja tratada como prioridade pela administração municipal. De acordo com ele, a deficiência da estrada compromete diretamente a atividade agrícola, principal fonte de renda de diversas famílias da região.
Outro ponto destacado pelo vereador foi a situação de uma barragem localizada em frente à praça da comunidade, responsável pelo acesso de aproximadamente 25 famílias. Conforme explicou, a estrutura foi danificada durante as enchentes de 2024 e, desde então, não recebeu a recuperação necessária.
Segundo o parlamentar, caminhões de entrega de gás, veículos de carga e caminhões utilizados para o transporte da produção agrícola já não conseguem atravessar o local. Embora automóveis menores ainda passem, Gian alertou que o risco aos usuários é elevado.
Líder do governo confirma problema e revela cobrança antiga
O momento que mais chamou atenção durante o debate ocorreu quando o líder do governo na Câmara, vereador Lucas Abel (PP), confirmou publicamente as dificuldades relatadas pela oposição.
Lucas lembrou que esteve na comunidade em 25 de fevereiro, acompanhado do secretário responsável pela pasta, oportunidade em que verificou pessoalmente a situação da estrada.
Segundo ele, as condições já eram precárias naquela ocasião.
"Os insumos ficam quase um quilômetro distante por causa da condição da estrada, que impede o acesso."
Embora tenha afirmado acreditar que não exista falta de vontade por parte da Secretaria responsável, Lucas avaliou que outras demandas podem ter recebido prioridade.
"Acredito que não é falta de vontade do secretário, mas prioridades que devem ter passado na frente. A gente não sabe. Infelizmente não foi feito ainda. Se tivessem feito, a oposição não estava na tribuna."
A manifestação foi interpretada como um reconhecimento de que a reivindicação já havia sido apresentada anteriormente pela própria base governista ao Executivo, sem que houvesse solução até o momento.
Nos bastidores políticos, o pronunciamento ganha peso porque o próprio Lucas Abel revelou recentemente à imprensa que deixou de participar, há algumas semanas, das reuniões realizadas às segundas-feiras entre vereadores da base e integrantes do governo municipal, em forma de protesto pelo não atendimento de pedidos apresentados por seu gabinete.
Embora essa posição não tenha sido abordada durante a sessão, a fala do líder do governo reforçou a existência de divergências internas quanto ao encaminhamento de algumas demandas consideradas prioritárias.
Antônio Oliveira defende atuação do Executivo
A defesa mais enfática da administração municipal partiu do vereador Antônio Oliveira (PP).
Em tom de ironia, iniciou sua manifestação dizendo:
"Fico agradecido que tem alguém se preocupando com o Rio do Terra."
Na sequência, afirmou que a recuperação da estrada já integra o planejamento da Prefeitura desde o período das enchentes, mas que limitações financeiras impediram a execução da obra.
Segundo Antônio, os maiores investimentos realizados após os eventos climáticos concentraram-se justamente nas comunidades do Rio do Terra e Alto Rio do Terra.
"A estrada lá está na programação desde a enchente, mas infelizmente não deu porque tivemos um gasto muito grande no município. O maior gasto foi nas comunidades do Rio do Terra e Alto Rio do Terra, são quatro quilômetros."
Durante sua manifestação, o vereador também mencionou obras de pavimentação previstas para outras localidades, ressaltando que, até o momento, o município não conseguiu obter recursos específicos para recuperar o trecho reivindicado.
"Por enquanto não surgiu oportunidade de angariar o dinheiro para arrumar lá."
Ao final, Antônio Oliveira sugeriu que o vereador Gian Matos busque recursos por meio de emendas parlamentares para viabilizar a intervenção.