Furto de cabos deixou 155 mil clientes sem luz no RS em 2025; crime ocorre a cada duas horas na área da CEEE Equatorial
Concessionária registrou quase 6 mil ocorrências no ano passado. Distribuidora investe em nanotecnologia usada pelo Exército e parceria com a polícia para combater crimes.
A CEEE Equatorial registrou 5.785 casos de furtos de equipamentos da rede elétrica em 2025. O volume representa uma média alarmante de um crime a cada duas horas. Como consequência direta dessa prática criminosa, 155 mil clientes tiveram o fornecimento de energia interrompido nos 72 municípios da área de concessão da distribuidora.
Embora mais da metade (57%) dos episódios tenha ocorrido em Porto Alegre, o Litoral e a Região Sul também sofrem com a incidência. Cidades como Rio Grande, Imbé, São José do Norte, Santa Vitória do Palmar e Capão da Canoa destacaram-se no ranking de locais onde mais materiais foram subtraídos da rede.
O crime prejudica não apenas o consumidor residencial, mas traz prejuízos severos ao comércio e à própria infraestrutura do estado.
“Quando um cabo ou outro material da rede é furtado, a distribuidora precisa redirecionar investimentos que seriam aplicados em melhorias do sistema elétrico para a recomposição do material. Ou seja, é um furto que alimenta o crime organizado, afeta a população e coloca em risco o fornecimento para serviços essenciais, como hospitais e órgãos de segurança”, afirma Eme Mafra, Executiva de Segurança Empresarial da CEEE Equatorial.
Nanotecnologia e Inteligência: O contra-ataque
Para combater a receptação, que é o mercado que financia o furto, a companhia está inovando com o uso de nanotecnologia de rastreamento. O sistema também é utilizado pelo Exército Brasileiro no controle de explosivos e permite identificar a origem dos cabos da CEEE Equatorial mesmo que os sinais visuais (capas e identificações) tenham sido queimados ou removidos pelos criminosos.
Além da tecnologia, a estratégia adotada pela distribuidora envolve inteligência policial. Em parceria com a Polícia Civil e a Brigada Militar, foram realizadas 99 operações em ferros-velhos e pontos de comércio de sucata ao longo de 2025. O saldo foi a prisão de 68 pessoas e a recuperação de mais de 10 toneladas de cabos e equipamentos.
Legislação mais rígida
O combate ganhou um reforço jurídico com a sanção da Lei nº 15.181, em meados de 2025, que endureceu as penas para crimes envolvendo infraestruturas essenciais:
Furto qualificado: pena de 2 a 8 anos de reclusão e multa
Roubo com impacto em serviços públicos: 6 a 12 anos de reclusão e multa
Receptação simples: até 4 anos de reclusão e multa
Receptação qualificada: até 8 anos, podendo chegar a 16 anos se envolver bens ligados a serviços essenciais
Denuncie
A colaboração da população é vital. Denúncias anônimas podem ser feitas à Brigada Militar (190), Disque Denúncia Secretaria de Segurança (181), Disque Denúncia Polícia Civil (197) ou pela Central de Atendimento da CEEE Equatorial: 0800 721 2333.
Foto: CEEE Equatorial Divulgação